Eu gosto de dizer que não existe segredo para emagrecer, todo mundo conhece a fórmula: alimentação saudável (comer menos) + atividade física (gastar mais). A grande dificuldade é manter uma rotina de dieta e exercícios. Bom, eu estava decidida a mudar minha vida e me matriculei numa academia. Ia todos os dias, bem animada, fazia aeróbico, musculação e saía feliz, ansiosa com as mudanças que em alguns meses eu veria.
Ansiosa... ansiedade, era esse o meu grande problema. Não que eu estivesse maluca por exercícios, meu problema era minha ansiedade com minha vida. Desde muito tempo já sofro desse mal, e depois de ter meu filho as coisas pioraram. Eu esperava que assim que ele completasse 6 meses eu voltaria a faculdade e seguiria na minha escada para o processo profissional, a qual eu já vinha subindo há alguns anos, mas, quem é mãe sabe, que não é bem assim que as coisas funcionam. Um filho demanda muito mais tempo e atenção do que eu esperava, e assim virei dona de casa. Na solidão, sem estímulo intelectual... Só eu e louça suja. E isso me consumia por dentro "Como assim? Não vejo nada novo! Não aprendo nada!". Então eu ficava tentando planejar alguma maneira de eu voltar a ativa, mesmo que fosse em uma área diferente da moda e procurava encaixar a minha vida dentro de uma carreira. E não pensem vocês era planejar o ano que vem, ou o próximo semestre... Era a vida inteira! Eu queria saber TUDO! Onde ia estudar, onde ia trabalhar, onde estaria morando, onde meu filho ia estudar com 7, com 14 anos... Vou avisar vocês, quando você está desesperada tentando planejar sua vida inteira encaixando ela em coisas que não combinam com você ela fica tão cheia, mas tão cheia que parece que vai explodir a qualquer momento.
Eu não conseguia silenciar a minha mente nem por um segundo. A hora em que ia deitar era uma tortura, ficar me remexendo na cama até conseguir dormir e no outro dia acordar exausta.
Procurei saber se na minha cidade alguém dava aulas de yoga. E via facebook alguém me disse que uma professora dava aulas em sua casa. Para minha sorte, nossos filhos estudam na mesma escola, então um dia conversei com ela na hora de buscar os pequenos. Ela me propôs uma aula experimental.
Fui fazer o experimento e me surpreendi do quanto eu era inflexível e como não conseguia fazer alguns exercícios simples (e olha que eu era a mais jovem da aula, e quando digo isso, digo que a próxima da fila deveria ter pelo menos 10 anos a mais). Mas me senti bem. No final da aula, Paula, a professora, veio me perguntar o que eu tinha achado, e por que tinha procurado a yoga. Contei uma breve história triste para ela, e disse que queria diminuir minha ansiedade. Ela me falou uma coisa que me ajudou muito: "Você fez escolhas certas. Você resolveu ser mãe, dar tempo ao seu filho, a sua maternidade e isso é precioso."
Não foi exatamente com essas palavras, foi um texto um pouco maior, mas foi isso o que me marcou muito. Foi muito bom deixar um pouco de lado todas as críticas que muitas pessoas ao meu redor, e principalmente EU vinha fazendo a mim mesma todos os dias. E percebi que aquilo que ela disse era verdade. Não valeu a pena parar o meu progresso acadêmico? Não valeu a pena me dedicar a ser mãe e dona de casa exclusivamente? Estar presente na primeira palavra, na primeira vez que engatinhou, nos primeiros passinhos não valeu a pena? Ser o porto seguro dele, saber que ele sempre pode confiar a mim suas necessidades, seus medos, não valeu a pena? É claro que valeu. É claro que vale.
E passar mais tempo sendo exclusivamente mãe e dona de casa, por mais difícil que seja não é nada se for para vê-lo mais feliz.
Depois disso tudo se encaixou. E eu consegui ficar em paz. Pude aprender a valorizar o presente, as coisas que posso fazer, e realizar todo o trabalho doméstico com amor, pensando no benefício de todas as pequenas coisas para minha família.
No final das contas, deixei a musculação e me matriculei nas aulas de yoga (nessa parte tive que equilibrar as finanças). E não me arrependo nem um pouco. Hoje vivo um dia de cada vez, e o melhor, com a mente tranquila.